Vitrina, 08.01.2026 - O governador do Banco Central de São Tomé e Príncipe projetou um crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, real para este ano e também para 2027 de cerca de 3,9%. Agostinho Fernandes que falava em balanço do ano econômico de 2025, disse que este crescimento “contrasta com a média registada nos últimos anos”. Lamentou, entretanto, que “a inflação permanece elevada e persistente”, estimando-se em 2025 que ela tenha situado em torno de 12%.
“Este nível de inflação impõe ao Banco Central uma atuação firme, prudente e responsável. Por isso quero ser absolutamente claro: enquanto a inflação não estiver controlada, o Banco Central manterá uma orientação prudente e restritiva da política monetária mesmo quando tal exija decisões difíceis”, avisou.
Numa introspeção a situação econômica nos anos anteriores, o governador do Banco Central referiu que entre 2022 e 2025 “a economia nacional enfrentou choques de natureza excecional, num contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, crises energéticas, pressões inflacionistas globais e condições financeiras globais mais restritivas”.
De acordo com Agostinho Fernandes, os impactos desses fenômenos “se fizeram sentir de forma particularmente intensa, tanto sobre os preços internos como sobre as reservas externas e o equilíbrio macroeconómico” do arquipélago.
O Banco Central pretende alcançar, a médio prazo, uma inflação próxima de 5%, “convergente com a inflação da área do euro”. Para atingir esta meta o Banco Central exige que seja aplicada “disciplina macroeconômica, coordenação eficaz entre política monetária e fiscal e a intensificação de reformas estruturais, em particular no setor alimentar doméstico, de modo a reduzir a volatilidade da oferta interna”.
Aí se coloca a necessidade também de enfrentar um “desafio estrutural relevante com reduzido nível de inclusão financeira, fortemente associado a elevada informalidade econômica, onde se situa mais de 80% das micro e pequenas empresas”.
Agostinho Fernandes destacou ainda dois fatores que contribuíram para complicar a situação. Primeiro a suspensão do crédito carburante por parte do principal fornecedor desse bem essencial ao país, com efeitos diretos sobre o custo de produção, preços internos e balança externa. Em segundo lugar os custos associados a emigração que tem afetado a disponibilidade de fatores de produção internos e exercido pressão adicional sobre o nível geral de preços, contribuindo para a persistência da inflação.
Adianta, por isso, que o crescimento econômico “manteve-se modesto” para 2025, estimando-se em 2,1%, mesmo assim, superior registado em 2024.
O responsável defende que a sua instituição deve continuar o caminho para a implementação do Plano Nacional de desenvolvimento 2026/2040, que considera “um instrumento estrutural e fundamental para ancorar um crescimento econômico sustentado e sublinhar a importância estratégica do programa apoiado pelo Fundo Monetário Internacional, FMI, no âmbito da facilidade de crédito alargado”.
Considera que o desfecho positivo da segunda avaliação do programa em dezembro passado “constitui elemento fundamental de confiança, não apenas para a estabilidade macroeconômica interna, mas também para credibilidade externa do país e para a mobilização do apoio de outros parceiros de desenvolvimento”.
“Esse programa tem sido um instrumento essencial para apoiar o processo de ajustamento macroeconômico, promover reformas estruturais, reforçar a disciplina das políticas públicas e preservar a ancora de estabilidade do nosso sistema monetário e financeiro e a confiança junto aos parceiros”, acrescentou.
O governador do BC fala também em “progressos relevantes” do lado fiscal, referindo-se a um saldo primário nulo em 2024, registado “primeira vez em várias décadas”. Esse feito projeta para 2025 um superavit primário de cerca de 0,5% do PIB, que tem contribuído para a redução gradual do rácio da dívida externa.
Com nem tudo correu mal, Agostinho Fernandes sublinhou também o que considera de “desenvolvimentos positivos” no setor de exportação que tem contribuído de forma expressiva para o crescimento econômico.
Disse a propósito que a exportação de cacau atingiu “níveis mais elevados das duas décadas”, o turismo atingiu “alto potencial de expansão” já apresenta uma trajetória de crescimento sustentada e remessas dos emigrantes aumentaram significativamente e estão a desempenhar “um papel relevante no apoio ao consumo interno”.
C. Fernandes