Vitrina, 07.03.2026 – O presidente da república manifestou hoje a convicção de que o julgamento do caso 25 de novembro esteja mais próximo com a aprovação, pela Assembleia Nacional, do projeto de lei que suspende temporariamente a Lei de Justiça Militar, datado de 1984.
“Se isto é o caminho para nós encontrarmos a solução para ultrapassar o problema, será esse caminho que vamos adotar”, disse Carlos Vila Nova este sábado, no aeroporto, antes de viajar para Lisboa, onde vai participar na investidura do presidente eleito de Portugal, António José Seguro.
“Eu sempre disse e defendo que se encontre a via de pacificar (o país). Esse dossiê divide os são-tomenses, eu sempre disse que não gostaria de exercer o mandato onde contribuísse para dividir as pessoas. Por isso todo o empenho que eu já desenvolvi, muitas vezes mal compreendido”, acrescentou, prometendo que quando o projeto aprovado pela assembleia nacional for enviado para promulgação “agirei em consciência”.
O chefe de Estado reconhece que nos últimos tempos “o país, apesar de alguma informação controversa, respira a paz, respira a alegria, vamos continuar a trabalhar para que isso seja o nosso modo de vida em São Tomé, que as pessoas se aproximarem cada vez mais, voltem a conversar em todos os momentos e não se evitarem”.
Carlos Vila Nova considera que o estado das relações diplomáticas e de cooperação com Portugal “são excelentes ao longo dos últimos anos e nós optamos por manter e tentar elevar ainda” e tendo viajada nas vésperas do Dia Internacional das Mulher, aproveitou para “um abraço especial as mulheres de São Tomé e Príncipe.
“Que elas continuem a ser as nossas mães, continuem a ser as chefes de família que na nossa sociedade são a maioria, continuem a estar ao lado dos seus companheiros e constituam a família naquela tradição familiar de respeito e de incutir valores no seu seio”, sublinhou o chefe de Estado.
Comentando a guerra no Médio Oriente entre os Estados Unidos e Israel e o Irão vê “muitas consequências” para vários países incluindo o nosso. “Infelizmente é aquilo que se diz; quando rebenta uma garrafa os estilhaços fazem estragos e nós estamos submetidos a estes estilhados”.
Carlos Vila Nova disse que está a acompanhar “essa situação com muita apreensão. O mundo conhece uma situação de conflitos nunca visto, em pleno século 21 quando nós criamos todos os mecanismos para resolver todas as questões por outra via”, lamentou.
“Eu espero que os canais diplomáticos continuem a estar abertos e as vias de diálogo sejam caminho para a solução. Porque nós subscrevemos, todos nós somos membros das Nações Unidas, há uma carta que rege, defende a forma como lidar com o direito internacional e a salvaguarda da soberania nacional de cada país”, disse o governante.
“Não podemos permitir que a lei da força seja as vias de resolver o problema. Não acuso, não culpo ninguém, mas a verdade é que não está certo usar a força para resolver os problemas”, concluiu.
M.B.