ADI retira moção de censura e primeiro-ministro congratula-se com “bom senso” dos proponentes
Vitrina, 28.01.2026 - A Ação Democrática Independente, ADI decidiu retirar a moção de censura ao governo do primeiro-ministro Américo Ramos.
“O grupo parlamentar do ADI, na sua máxima representação aqui, decidiu retirar a moção de censura”, anunciou hoje o líder da bancada, Nito Abreu.
O primeiro-ministro numa reação a decisão congratulou-se com o facto de que “o bom senso" tenha reinado naquele grupo parlamentar que interpôs a moção de censura contra o governo”.
Américo Ramos lembrou que “essa moção de censura poderia causar problemas graves ao país a escassos meses das eleições, iria minar a confiança dos parceiros, dos investidores, interromper alguns projetos engajados e que estão em curso e isso teria impacto bastante negativa na vida da população”.
“O governo está consciente dos problemas que existem, mas está a trabalhar, está fazendo reformas para que haja mudanças”, acrescentou Américo Ramos.
“O ADI é um partido com responsabilidade política nesse país, nós vimos que foram criados vários expedientes, desde a segunda-feira, para que essa sessão plenária não tivesse lugar, fomos analisando os vários cenários, as situações e, para não colocarmos o país numa situação de tensão, optamos por retirar a moção”, explicou o secretário-geral do ADI, Elísio Teixeira.
A referida moção deveria ser discutida e votada terça-feira 27, mas logo no início da sessão parlamentar a denúncia da existência de dois deputados do ADI que se encontravam no hemiciclo em situação ilegal deu origem a graves incidentes entre as várias bancadas, transformando a sala da plenária num autêntico caos, o que obrigou a retirada do primeiro-ministro e os membros do governo e, consequentemente, a suspensão dos trabalhos da plenária.
Elísio Teixeira acusou o MLSTP “associado ao Basta e alguns deputados do ADI que se venderam” de terem feito vários “expedientes” para inviabilizar a moção de censura. “Ficou claro que o ADI tem neste momento 23 deputados e é com estes que trabalharemos até o fim da legislatura”.
Aos deputados do seu partido que se alinharam contra a moção de censura, Elísio Teixeira garante ter provas de que receberam dinheiro “para que não viessem ao plenário, desligassem os telefones”, numa atitude que considerou de “muita cumplicidade” com o governo, tendo acusado também o governo do primeiro-ministro Américo Ramos de ter feito “uma aliança” com os partidos MLSTP e Basta, formando “uma só equipa”.
O presidente do Basta, Levy Nazaré diz que foi apanhado de “surpresa porque o assunto é tão sério”. “Uma moção de censura num momento político como este, não fazia sentido, na nossa mente essa retirada”, disse Levy Nazaré.
Para o líder do Basta, a atitude do ADI explica-se pelo facto de “na iminência de saber que a moção iria chumbar, medrosamente retiraram”.
A bancada do MLSTP, apesar de considerar que retirar a moção de censura contra o governo “é um direito que lhes assiste” (...) “A grande verdade é que o ADI se sentiu derrotado, por isso é que retira a moção”.
“O país precisa de estabilidade, nós estamos no ano eleitoral, estamos a seis ou oito meses das eleições legislativas, não há necessidade, é um governo do ADI e o MLSTP podia fazer tudo contra, mas não. Primeiro o país, nós somos um partido responsável, cada momento um facto e não ajuntar de animo leve e criar mais problemas ao país”, defendeu o representante da bancada do MLSTP, Danilo Santos.
Danilo Santos criticou a presidente da Assembleia de “estar numa lógica de que eu quero, posso e mando”, tendo responsabilizado Celmira de Sacramento pela confusão que se instalou na sessão plenária de terça-feira, ao admitir posse dos dois deputados que se encontravam em situação de incompatibilidade.
M. Barros