Vitrina, 22.01.2026 – Ação Democrática Independente, ADI, introduziu hoje na Assembleia Nacional (parlamento) uma moção de censura contra o governo do primeiro-ministro Américo Ramos, empossado há justamente um ano.
Elísio Teixeira, secretário-geral do ADI explicou a jornalistas que as motivações do seu partido para esta moção de censura ao governo foram alimentadas também pelo acórdão do Tribunal Constitucional que considera inconstitucional a demissão do executivo de Patrice Trovoada.
“Há um ano quando foi demitido o XVIII governo, nós assumimos que esta demissão não obedeceu aos preceitos constitucionais, a nomeação do novo primeiro-ministro também não obedeceu às regras do Estado de Direito Democráticas e, a partir da decisão do Tribunal Constitucional e tendo em conta o que nós temos estado a constatar, decidimos apresentar uma moção de censura para demarcarmos, por completo, das ações governativas”.
Elísio Teixeira acusou ainda o governo de, neste um ano de governação, não ter conseguido resolver os principais problemas que afetam a população.
“A situação energética complicou-se bastante, a situação no hospital é degradante, de forma geral o custo de vida da população o governo não tem sabido dar resposta. O que se disse que era uma alternativa ao XVIII governo demonstrou ser pior”, sublinhou o secretário-geral do ADI.
Observadores políticos acreditam que, numa altura em que o ADI vive uma situação de crise interna grave que dividiu o partido em duas alas, é espectável que esta moção de censura possa não tenha acolhimento da totalidade dos seus 30 deputados no parlamento. Mas esse facto parece não preocupar Elísio Teixeira.
“O ADI é uma marca e nós estamos nisso há muitos anos, nós temos uma responsabilidade política, temos um compromisso com o povo, sabemos o que fazemos, daí que haverá sempre um grupo de descontentes, até porque a nossa história demonstra isso, daí que não há problemas neste ato e nós assumimos plenamente o que fazemos e acima de tudo olhar para São Tomé e Príncipe”, explicou o responsável.
“Nós temos uma maioria de 30 deputados, de algum tempo a esta parte nós temos a noção que alguns deputados não estão numa perspetiva de orientação política do partido, mas ainda assim nós acreditamos que essa moção de censura tem tudo para avançar e ela passar. Mas ainda que não passe, é um sinal claro que o ADI enquanto partido com responsabilidade política não assume esta ação governativa”, acrescentou.
ADI, entretanto, já definiu os seus objetivos em caso da queda do executivo de Américo Ramos.
“Uma alternativa será eleição antecipada e outra alternativa será convidar o ADI, como ditam as regras, a indicar o novo primeiro-ministro e formar um governo”, avançou.
O secretário-geral da Ação Democrática Independente comentou o acórdão do Tribunal Constitucional que considera ter sido publicado fora do prazo.
“Essa decisão ela vem tardia, nós estranhamos, deverá haver justificações por parte dos juízes do Tribunal Constitucional, mas a verdade é que ela devia ter sido assumida há mais tempo que um ano depois”, lamenta.
Fonte parlamentar disse ao Vitrina que a moção de censura foi discutida esta quinta 22, na conferência de líderes que agendou a discussão na plenária para a próxima quarta-feira 27, data fixada pela Assembleia Nacional (Parlamento) para a discussão e aprovação do orçamento para 2026 deste órgão legislativo, seguindo-se a discussão do Orçamento Geral do Estado (OGE), nos dias 28 e 29 deste mês.
M. Barros