Vitrina, 16.04.2026 - Um plano estratégico multissetorial para melhorar a saúde em São Tomé e Príncipe foi lançado esta quarta-feira (15) pelo governo. O documento, cuja execução tem a duração de cinco anos, está orçado em dez milhões de dólares e tem como eixos fundamentais um programa de combate a doenças não transmissíveis, outro de combate a doenças oncológicas, nomeadamente o cancro, e por último, uma estratégia nacional de saúde comunitária.
O plano estratégico estabelece o trabalho conjunto de vários ministérios para a melhoria dos indicadores de saúde no país. A sua implementação será coordenada pelo Ministério da Saúde, através de uma comissão nacional multissetorial que deverá “garantir a articulação entre os setores governamentais e parceiros”.
O documento a que o Vitrina teve acesso explica que se trata de um modelo que que “assenta na descentralização, no reforço das capacidades locais e na definição clara de responsabilidades”.
Estatísticas apontam que mais de 60 por cento da população morre por doenças não transmissíveis, designadamente os acidentes cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes que são doenças não transmissíveis.
“Nós temos vido a trabalhar de forma a melhorar os cuidados de saúde”, defendeu, no ato de lançamento desse plano estratégico multissetorial, Mirian Cassandra, coordenadora do programa de doenças não infeciosas que referiu sobre “uma mudança naquilo que são as doenças que outrora atingiam o nosso país”.
“Inicialmente nós sofríamos mais de doenças de foro infecioso, mas agora temos uma mudança. Embora nós tenhamos ainda muitos casos de doenças infeciosas, começamos a ter uma aceleração de doenças não transmissíveis que constituem atualmente a maior causa de mortalidade no nosso país”, explica Mirian Cassandra.
Diagnostico tardio, limitada capacidade de tratamento e insuficiente e integração dos cuidados fazem com que o cancro emerge como uma das principais causas de mortalidade em São Tomé e Príncipe.
Por isso, o Plano Estratégico Nacional 2026-2030 é visto como “o principal instrumento estruturado do país dedicado a prevenção, deteção precoce, diagnostico, tratamento e cuidados paliativos em oncologia”.
O primeiro-ministro reconheceu que as doenças não transmissíveis representam “uma ameaça ao nosso desenvolvimento econômico e social. Américo Ramos lembrou que “persistem desafios importantes no controlo de doenças transmissíveis, no acesso aos serviços básicos e na redução das desigualdades”.
À margem da cerimónia de lançamento do Plano Estratégico Multissetorial para melhorar a saúde em São Tomé e Príncipe, foi rubricado um acordo entre quatro ministérios, designadamente Saúde, Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Educação e Trabalho, Solidariedade e segurança Social.
Cada um desses ministérios tem responsabilidades específicas por setor, tais como a integração da saúde nas políticas públicas e dar resposta coerente e alinhadas.
M. Barros