Vitrina, 05. 02. 2026 – Dentro de seis meses o aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe terá um terminal de cargas com equivalência que corresponde às exigências das normas internacionais de segurança da aviação civil. Trata-se de um investimento de cerca de um milhão e 400 mil euros, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e acontece depois que uma auditoria promovida pela IATA/IOSA que identificou “insuficiências nas condições existentes no aeroporto Nuno Xavier Dias”, e “lacunas nos níveis de formação dos intervenientes nos processos de manuseamento, controlo e expedição de carga”.
Durante cerca de dez anos o país estava proibido de embarcar produtos nacionais por via área para o estrangeiro. Pimenta, baunilha, chocolate, malas de correios viram-se impedidos de ser enviados o estrangeiro.
O correio postal passou a ser enviados para Portugal via Luanda, como alternativa, levando, por vezes três meses até que chegue ao destinatário, uma vez que as duas companhias de aviação que ligam São Tomé a Lisboa, nomeadamente a TAP e STP Airways recusam-se a fazê-lo, segundo uma fonte dos correios de São Tomé.
Na quinta-feira da semana passada o governo recebeu informações de que o embargo que recaia sobre o país concernente a exportação de cargas e correios a partir do aeroporto de São Tomé por via aérea foi levantado.
O governo regozijou-se com a medida, acreditando o levantamento do embargo cria as condições para que os operadores econômicos possam desenvolver a suas atividades neste domínio, abrindo caminho para a exportação do maior volume de mercadorias para o estrangeiro, por via aérea.
O governo explica que fim da interdição “resultou de um trabalho rigoroso e coordenado, assente nos procedimentos de segurança, na formação e certificação internacional dos agentes de manuseamento de carga e de controle documental, bem como no respetivo averbamento junto das instâncias internacionais”.
Na perspetiva do governo, o terminal de cargas cujas obras foram lançadas a semana passada no nosso aeroporto internacional vai criar condições de logísticas e operacionais “para a salvaguarda dos interesses da nação e permitir que os nossos operadores tenham a garantia das suas atividades e melhor desenvolvê-las com melhores condições”, explicou o ministro das Infraestruturas e Recursos Naturais.
O projeto de construção do terminal de cargas está a ser executada por uma empresa chinesa local denominada STP Construções e Investimento Lda.
Hélder Fernandes que coordena o projeto garante que as obras estarão concluídas em seis meses, terão equipamentos próprios como scanner para rastreios, balanças, detetores de metal e de explosivos, câmaras frigorificas, tratamento de materiais perigosos, incluindo setor para a conservação de cadáveres. O terminal será alimentado pela rede de energia da Empresa de Água e Eletricidade, Emae, e por redes de painéis solares.
M. Barros