Vitrina, 21.06.2026 – As divergências internas no seio do partido Ação Democrática Independente, ADI continuam marcantes. Este domingo alguns militantes envolveram-se em cenas de pancadaria com agressões verbais a mistura, durante uma reunião do Conselho Nacional, realizada no Palácio dos Congressos. O órgão deliberativo do ADI acabou, entretanto, por marcar a realização de um congresso eletivo para o dia 26 de julho, uma semana depois das eleições presidenciais.
Na origem dos incidentes estão alegações sobre a alteração das decisões do último Conselho Nacional e fraude na lista dos membros com estatuto para tomar parte no evento.
“Esta lista é a que o Tribunal Constitucional tem, é a lista do último conselho nacional”, defendeu Celmira Sacramento, vice-presidente do partido que acusou, mas sem avançar nomes, “uma equipa criada para desestabilizar”.
“Eles vieram em massa e quiseram fazer de tudo para que não se realizasse esse conselho nacional”, explicou Celmira Sacramento.
O primeiro ministro e candidato a liderança do partido, também participou nesta reunião do conselho nacional, mas acabou por ausentar-se muito antes do término dos trabalhos, tendo manifestado a sua insatisfação com a organização.
“Convidaram-nos para um conselho nacional estatutário, quando chegamos aqui notamos que a lista foi totalmente adulterada. Trazem pessoas que não têm nada a ver com o partido. Excluíram dois elementos que pertenciam ao ADI, mas se inscreveram num outro partido, mas hoje na sala, temos gente também que subscreverem num outro partido, o MCI, mas estavam na sala”, acusou Américo Ramos.
Ultrapassado a confusão os trabalhos prosseguiram e criaram uma lista de cinco membros da comissão eleitoral interna e fixou a data de 26 de julho para a realização do congresso, contestado pelo candidato a líder do partido, Américo Ramos.
“O Tribunal Constitucional já decidiu para um prazo de 30 dias para a realização do congresso, nós estamos a vir outra vez marcar uma data que não sabemos e com a introdução de pessoas estranhas na sala e a exclusão daquelas pessoas que são realimente membros do conselho nacional”, disse.
Lançou fortes criticas ao ainda líder Patrice Trovoada que concorre também para a sua sucessão no próximo congresso. “Nós não estamos num partido democrático, estamos numa ditadura, onde infelizmente, como temos assistido, se fazem reuniões e conselhos nacional online, sem a presença do presidente do partido. E estamos a conviver com isso como se fosse uma coisa normal”, lamentou.
M. Barros