Campanha para a eleição presidencial em São Tomé e Príncipe entra no oitavo dia sem grandes incidentes
Vitrina, 11.07. 2026 - Os primeiros dias de campanha eleitoral para as presidenciais de 19 de julho em São Tomé e Príncipe demonstraram algum desiquilíbrio nos discursos e mensagens dirigidas ao eleitorado, entre os dois principais candidatos.
No conjunto de quatro concorrentes que disputam o cargo de presidente da república, Carlos Vila Nova e Nito Viegas Abreu foram os únicos que “deram a cara” nos dois primeiros dias de campanha eleitoral, mas com mensagens completamente antagónicas. Miques João Bonfim
Carlos Vila Nova que faz uma campanha sob o slogan “Primeiro São Tomé e Príncipe”, tem-se desdobrado em apelos a uma nação mais unida, mais pacífica e onde os são-tomense devem conviver uns com os outros, em harmonia.

Carlos Vila Nova que tem apoio de vários partidos políticos para a sua reeleição já promoveu alguns comícios de campanha, destacando-se um na cidade de Neves, capital do Distrito de Lembá, onde é originário e outro na cidade de Santo António, na Região Autónoma do Príncipe onde a moldura humana foi bastante notável. “Mais cinco anos” é a frase-chave dos seus apoiantes que no terreno têm-se desdobrados para arrastar multidões.
Nos seus comícios não perde a oportunidade para lembrar que “ninguém põe o presidente (no poder). O povo é que escolhe, é um poder do povo de São Tomé e Príncipe escolher” (o chefe de Estado). Uma indireta aos seus mais diretos adversários que o acusam de ingratidão por ter sido eleito há cinco anos pelas mãos de Patrice Trovoada, com o qual entrou em rota de colisão que o ex-primeiro-ministro foi demitido de funções por indisciplina e deslealdade institucional com o chefe de Estado.
Nito Abreu que tem a maior quantidade de cartazes e outdoor espalhados um pouco por toda a cidade de São Tomé e periferia, não tem conseguido convencer os seus apoiantes a usarem um discurso mais apaziguador nestas campanhas.
Viaturas com sons estridentes, veem-se a circular por diferentes pontos do país com ataques contra outro candidato, ignorando o apelo da Comissão Eleitoral Nacional. Mas no computo geral, os candidatos esforçam-se por evitar ataques pessoais, uma forma de evitar incendiar os ânimos nesta campanha eleitoral que muitos, antecipadamente, vaticinavam decorrer com alguns focos de conflitos.

“Agora é a Nossa Vez”, é, por seu lado, o slogan da campanha de Nito Abreu que arrasta consigo nas passeatas e nos comícios figuras da ala do ADI liderada por Patrice Trovoada, entre eles, a ex-presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, Paulo Bacuda, presidente da câmara distrital de Cantagalo e Alexandre Guadalupe, porta-voz do partido.
“Tira Velho e Põe Novo” é usada como palavra de ordem chave na campanha do candidato Nito Abreu que, confrontado com algumas críticas, por vezes é obrigado a justificar que a intenção ou o verdadeiro sentido ido dessas palavras não é marginalizar os velhos.
A campanha para a eleição presidencial de 19 de julho em São Tomé e Príncipe decorre de forma morna, com os tempos de antenas dos diferentes candidatos na Rádio e na Televisão publicas a destacar o apelo ao voto. Quatro candidatos concorrem para esta eleição, mas apenas três fazem campanha eleitoral, nomeadamente, Carlos Vila Nova, Nito de Abreu e Miques João Bonfim. Eugénio Tiny, não faz nem campanha, nem tempo de antena.

No oitavo dia da campanha e quando faltam cerca de uma semana para a ida as urnas, registou-se um primeiro incidente: o candidato Miques João denunciou hoje que um grupo de cidadãos invadiu a sua residência. Tudo aconteceu menos de 24 horas de um tempo de antena da sua candidatura. Neste tempo de antena, Miques João que é advogado da causa 25 de novembro mostra imagens do massacre dos quatro cidadãos torturados e mortos de forma brutal, no quartel das Forças Armadas.
Enquanto fechávamos esta edição ainda não estávamos na posse de mais elementos sobre este alegado assalto a residência de Miques João Bonfim, advogado de profissão, que tem feito a sua campanha eleitoral vestido de túnica preta.
No entanto, fonte ligada à sua candidatura acusa, sem apresentar provas, “pessoas com envolvimento no caso (25 de novembro) que se sentiram tocadas pelas imagens do massacre” que assaltaram a sua residência. O candidato prometeu, entretanto, dar uma conferência de imprensa sobre o alegado assalto.
M. Barros