Vitrina, 21.07.2026 - Carlos Vila Nova venceu, logo na primeira volta, a eleição presidencial de 19 de julho com cerca de 56 por cento dos votos expressos, batendo o seu mais direto adversário, Nito Abreu, figura avançada por Patrice Trovoada, ainda líder da Ação Democrática Independente, ADI. Carlos Vila Nova, contra a surpresa de todos, venceu esta eleição com um número bastante expressivo de votos, naquilo que observadores consideram ser uma vitória contra o próprio Patrice Trovoada.
No somatório dos votos em todo o país, Nito Abreu parece ter superado Carlos Vila Nova em apenas pouco mais de uma dezena de mesas de votos.
Na Região Autônoma do Príncipe, onde Nito Abreu contou com o apoio dos dois maiores partidos políticos regional, nomeadamente o Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) de Nestor Umbelina e a União para Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) de Filipe do Nascimento, o candidato também apoiado por uma franja do ADI venceu apenas em uma mesa de voto.
São as duas maiores formações políticas que apesar de terem ideias diametralmente opostos, chegando por vezes manifestando-se como rivais, mas uniram-se no apoio a um candidato que perdeu em mais 99% das assembleias de votos.
Observadores dizem que esse resultado pode trazer num futuro breve “um maio presságio”, sobretudo para o UMPP que governa a ilha do Príncipe há mais de 12 anos, praticamente sem oposição. Para um partido que domina politicamente a região, essa rejeição a um candidato apoiado por ele, pode refletir falta de coesão dentro da estrutura partidária, onde os militantes já não se sentem identificados com a causa do partido. Em setembro, Príncipe terá eleição para o novo governo local e o resultado das presidenciais vai obrigar o UMPP a adotar rapidamente uma nova estratégia, sob pena de ver fugir os seus tradicionais militantes e, pela primeira vez, perder o poder.
Regressando a São Tomé, apenas em Caué Vila Nova perdeu em algumas mesas, mas com margens muito insignificantes. Pior do que isso: no centro da cidade de Angolares houve mesas em que Carlos Vila Nova ganhou com votos mais de duas vezes superior ao do seu rival.
Observadores políticos consideram também isso como um mau sinal para o Movimento dos Cidadãos Independentes (MCI) que sempre tive Caué como seu feudo. A leviana margem percentual de vitória de Nito Abreu nalgumas mesas ou assembleias de voto em relação a Carlos Vila Nova em todo Caué deveria constituir motivos de preocupação para os irmãos Monteiro. Porque, para todos os efeitos, esse resultado reflete o desmoronar do castelo construído à custa da cervejeira Rosema que deu ao partido cinco deputados nas últimas legislativas.
Outro facto importante, é a empresa Diogo Vaz, onde a figura de Carlos Vila Nova entrou e desmontou a estratégia montada por duas importantes figuras do MCI. Isso demonstra que nem sempre o dinheiro tem mais poder e consequentemente a perda de influência de Raul Cravid e o seu correligionário nesta comunidade.
A esmagadora vitória do candidato a reeleição Carlos Vila Nova, apesar do número elevado de abstenção, além de infringir o maior golpe a Patrice Trovoada, pode constituir o princípio do fim da crise no seio do ADI. Se Nito Abreu perdeu como perdeu, isso deveu-se também as divergências no seio do seu partido, rachado ao meio há mais de um ano com a demissão do antigo primeiro-ministro e seu líder que abandonou o país e o partido, mandando laives e dando ordens e orientações a partir de Lisboa.
Os militantes dissidentes do partido que se juntaram ao Américo Ramos tiveram papel preponderante na eleição de Carlos Vila Nova. Se Américo Ramos, já eleito líder em congresso realizado nas instalações de LSM souber tirar partido desta vitória de Vila Nova, então ele terá consumado o resto do caminho que falta percorrer para consumar e se afirmar verdadeiramente como líder do ADI. Com os resultados destas eleições, muitos que ainda teimam em se manter fiel a Patrice Trovoada, deverão estar a refletir se não vale a pena bandear para o lado do Américo Ramos.
Nito Abreu e outros altos responsáveis do ADI, como Celmira Sacramento, Alexandre Guadalupe e outros devem estar a lamber a ferida da derrota e desenhando novas estratégias de vida.
AP