Presidente do MLSTP reage as declarações de Jorge Bom Jesus e acusa o candidato de criar desconforto dentro do partido
Vitrina, 19.06.2026 – O MLSTP e o candidato a eleição presidencial, Jorge Bom Jesus, que foi até bem pouco tempo presidente deste partido, parecem ter entrado em rota de colisão. Esta sexta-feira foi um dia marcado por declarações controversas e um pouco intempestivas entre o candidato e o atual presidente do partido, Américo Barros.
O MLSTP, em comunicado da sua Comissão Política anunciou que Jorge Bom Jesus renunciou à sua decisão de concorrer para a presidência da república. Hoje, 48 horas depois do comunicado do MLSTP, o antigo primeiro-ministro desmentiu categoricamente o seu partido. “Eu demarco-me do comunicado da comissão política do MLSTP, até porque o candidato Jorge Bom Jesus não deu nenhum mandato, nenhuma procuração a ninguém, a nenhuma entidade para falar em meu nome”, disse Bom Jesus, considerando o comunicado da comissão política do seu partido como “algo tendenciosa, contem imprecisões”.
Essas declarações não agradaram ao presidente do MLSTP, Américo Barros que não se fez de rogado e hoje mesmo respondeu Jorge Bom Jesus.
Começou por “lamentar profundamente a comunicação de Jorge Bom Jesus”, acusou-o de “criar um desconforto no seio do MLSTP” e de dar o “dito por não dito”.
“Num diálogo há sempre a questão de comunicação escrita e comunicação verbal. O que houve são compromissos de cavaleiros, deixando de lado essa questão de escrita”(...) “ele assumiu alguns compromissos e avançou algumas propostas. A nossa dúvida é sabermos se houve mais propostas que sobrepuseram a proposta apresentada por ele”, disse Américo Barros.
Apelou Jorge Bom Jesus a sentido de responsabilidade, sublinhando que “uma pessoa que já foi ministro da educação, vice-presidente e presidente do MLSTP, primeiro ministro, nunca, mas nunca deveria omitir essa questão”.
Se quisermos trabalhar para desenvolver o nosso país temos que nos colocar de acordo e consensos em várias matérias.
Em declarações a jornalistas, Américo Barros explicou que as conversações com Jorge Bom Jesus começaram desde a segunda-feira, altura em que o mesmo já tinha manifestado que “a probabilidade de não continuar como candidato era muito grande, mais de 90 por cento”.
“Daí que, para termos testemunhas decidi chamar dois camaradas (Wando Castro e Alcino Sousa) para testemunhar o resultado deste diálogo”, explicou. “Quarenta e oito horas depois nós voltamos a reunir num grupo de seis membros, tudo com testemunhas. Naquela reunião, ficou claro, e eu tenho como provar isto – só não o faço por uma questão de sentido de estado – o camarada Jorge assumiu até ao fim que retiraria a sua candidatura”.
“Ao terminar a reunião, pedimos ao camarada Jorge para ser ele o primeiro a fazer essa comunicação a nação. Ele disse que só não o faria porque tem alguns compromissos com alguns investidores e não gostaria que esses investidores tomassem conhecimento pela comunicação social (da sua decisão), mas o partido poderia avançar com o comunicado”, esclareceu, ainda, o presidente do principal partido da oposição.
Américo Barros garantiu também que a informação sobre a sua desistência da corrida presidencial veiculada no comunicado da Comissão Política do partido foi feito com o seu total aval.
“Nós solicitamos ao camarada Jorge se a comissão política poderia introduzir a decisão do seu recuo na candidatura no comunicado, ele assumiu e disse que não teria problema nenhum. Por isso a Comissão Política assumiu essa responsabilidade.
O presidente do MLSTP que falava a jornalistas visivelmente nervoso lamentou “profundamente” a postura assumida pelo seu militante e prometeu não “entrar em detalhes que prejudicam a imagem do camarada Jorge Bom Jesus”.
Apelou os militantes “a tranquilidade e a cumprirem com a decisão estatutária do partido”, que já decidiu dar apoio político ao candidato Carlos Vila Nova.
M. Barros