Vitrina, 13.10.2026 - O Movimento Basta entrou esta segunda-feira em crise, depois que o presidente da Comissão Executiva, Levy Nazaré demitiu-se da liderança desta formação política, obrigando a convocação de um novo congresso.
“Faço isso para permitir o partido respirar” (...) “senti que não contribui para fazer o partido crescer”, justificou o jurista, sustentando que a decisão que tomou tem “efeito imediato”.
Levy Nazaré que não conseguiu se eleger nas legislativas de 27 de setembro reconheceu que os argumentos do seu apelo ao voto durante as campanhas não convenceram o eleitorado.
“Eu acho que o povo não atendeu ao chamamento que eu havia proposto durante a campanha e resolvi deixar surgir outros líderes com capacidade para levar o partido ao bom porto”, lamentou.
Mas outros motivos precipitaram, também, a decisão do ex-líder do Basta, que algumas fontes partidárias dizem ter sido “apanhados de surpresa”.
Logo depois da divulgação dos resultados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Levy Nazaré chamou a imprensa e anunciou que decidiu “colocar o cargo à disposição”.
O Vitrina apurou, contudo, que um certo mal-estar que se gerou dentro do Basta precipitou a demissão que dias antes era apenas a colocação do seu cargo à disposição do partido.
Levy Nazaré defendeu, no entanto, que o seu afastamento da direção do Basta não coloca um ponto final na carreira política e continua a acreditar no projeto Basta.
“Eu só ponho fim na minha presidência do partido, vou continuar a ser militante normal”, explicou o responsável.
Nesta mesma entrevista defendeu que as duas principais forças políticas saídas destas eleições devem chegar a um entendimento para “se criar a grande estabilidade que o país precisa para sair do imbróglio em que se encontra”.
“Durante a campanha todos os presidentes dos partidos foram dizendo que o país precisa de grandes reformas”, sublinhou.
Citou, a propósito, a necessidade de revisão da constituição, a questão da justiça, a reforma política administrativa relativamente à questão dos mandatos (governo quatro anos, poder local três).
Referiu ainda sobre o que considera de necessidade de clarificar a “grande problemática entre o presidente da república e o primeiro-ministro sobre a matéria da defesa”, e também da política externa.
Levy Nazaré não foi eleito deputado, cargo que já exerceu durante várias legislaturas. Foi segunda figura na lista para Água Grande, onde o seu partido elegeu apenas uma senhora.
M.B.